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Transporte público brasileiro necessita de mudanças

Levantamento realizado em 246 cidades aponta que passageiros estão insatisfeitos com o serviço ofertado. Dados servirão para que, principalmente, os gestores possam pleitear melhorias para o setor

Uma pesquisa realizada pela Prompt Consultoria em parceria com o aplicativo Cittamobi descortina algo que há tempos vem sendo debatido pelo país. A necessidade da reformular a operação dos transporte nas cidades. O estudo revela que mais de 60% dos passageiros estão insatisfeitos. Foram mais de 10 mil respostas em 246 cidades, incluindo grandes centros urbanos de todas as regiões.

Entre os principais ofensores, a falta de pontualidade, lotação e o tempo de espera. Com o documento em mãos é chegada a hora de propor às autoridades e gestores alternativas para aprimorar operação, para enfim, melhorar a qualidade e a eficiência da mobilidade urbana no país.

O levantamento, intitulado “Pesquisa Qualimob” teve como objetivo avaliar a percepção dos passageiros sobre o nível do serviço oferecido, identificar pontos críticos e coletar dados analíticos essenciais para a tomada de decisões. Do total de participantes, 98,4% declararam usar o transporte público e 77,8% utilizam diariamente ou de 5 a 6 dias na semana. A alta adesão reforça que o transporte público não é uma escolha, mas sim, uma necessidade.

O ônibus como de costume segue sendo o principal modal no Brasil. É a opção mais utilizada por quase 60% participantes, sem combinar com outro meio. Já nas cidades que dispõem de modais sobre trilhos, a intermodalidade ganha força: cerca de 22,8% dos usuários combinam ônibus e metrô, enquanto 9,1% utilizam trem e ônibus e 7,9% optam por BRT e ônibus.

Tiago Araújo, CEO da Prompt Consultoria, explica que o uso de mais de um modal pode ser a solução mais racional para dar agilidade nos deslocamentos. “A combinação de modais é uma aliada especialmente nos grandes centros urbanos, evidenciando uma demanda crescente por soluções que otimizem o transbordo e o conforto dos passageiros”.

No quesito satisfação geral, mais de 6 a cada 10 passageiros se declaram insatisfeitos. O que corresponde a 61,3% dos participantes. Os indicadores mais sensíveis foram a pontualidade com 34,1%, lotação com 28,8% e tempo de espera com 28% que revelaram um grupamento estrutural de frota e frequência. Embora os números representem uma fragilidade, a partir desses dados as empresas podem ter subsídios para elaborar planos preventivos e de melhorias em suas respectivas cidades.

O tempo de viagem foi um fator determinante para a satisfação e a pesquisa evidenciou que 37,7% dos entrevistados gasta de 30 minutos a 1 hora por trecho, um período considerável que impacta diretamente na qualidade de vida. Por regiões, destacaram-se o Centro-Oeste com 26,3% e o Nordeste com 25,1%.

Além da agilidade, os passageiros priorizam a pontualidade (66,5%) e rapidez no tempo de espera (47,5%). Outros fatores importantes incluem temperatura e ventilação (42%), estado de conservação dos veículos (37,8%) e baixa lotação (36,4%).

“Observamos claramente que a pontualidade e a rapidez no tempo de espera dominaram a preferência e são justamente as dimensões com piores índices de satisfação. Esse é o fator de maior retorno potencial e uma grande oportunidade para os gestores utilizarem os dados para gerar novas ações e resultados”, finaliza Araújo.

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